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Ramon D'Ulevart

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Robots’ Angel of Death

2011-07-17 23:25

 

JIMBO Z-47 é um robot. Ele foi desenvolvido especialmente para controlar o crescimento polulacional de robots na Terra há 800 anos atrás. Hoje a maioria das formas de vida foi extinta do planeta e as remanescentes são, em sua maior parte insetos e animais das profundezas marítimas que resistiram ao aumento da acidez das águas. Os humanos já eram, ou melhor, já foram, mas antes disso criaram uma variedade enorme de robots, como Jimbo, e desenvolveram uma fonte de energia que acreditavam ser infinita, as Blue Rocks.

Até agora os robots estão bem, pelo menos os que sobreviveram aos Jimbos.

Jimbo Z-47 continua sua interminável ronda sobre as ruas e avenidas daquilo que outrora fora chamada de Blue Panels, uma cidade turística. Ao som da aproximação do ceifador, vultos nitidamente deteriorados escondem-se silenciosamente por detrás de balcões, dentro de armários e por entre latas de lixo, os que possuem a habilidade de subir escadas são os mais sortudos.

Jimbo entra na RobStore32, uma pequena loja de robots situada na avenida principal, e como de costume, observa os robots do estoque. Eles nunca foram ativados.

Os sensores de visão de Jimbo se perdem em devaneios ao observarem os robots nas caixas, prateleiras e vitrines, de todos os tamanhos e todas as cores. Ah! O que ele não daria para ter a companhia de um daqueles robots! Aquela cidade estava deserta desde que ele desativara e desmontara todos os robots defeituosos.

“Preciso voltar ao trabalhos” pensou a inteligência artificial de Jimbo, mas seu coração, que era bem real, o fazia ficar e observar. Decidiu que já era hora de se livrar de todos aqueles robots, mas sua programação o impedia de destruí-los, afinal, não estavam com defeito algum. O que fazer?

O prédio da prefeitura de Blue Panels possuia enormes galerias subterrâneas, nosso solitário herói achou que seria melhor mover os estoques de todas as lojas de robots da cidade para aquelas galerias, assim não o distrairiam de sua missão. Entretanto, durante a mudança uma força inexplicável o atraia para o setor de saneamento da prefeitura, seria alguma forma de vida artificial o chamando? Se tivesse lábios os de Jimbo esboçariam um tímido sorriso, a esperança de encontrar uma companhia percorreu seus circuitos, assim como o receio de ser apenas mais um robot defeituoso que ele seria obrigado a desmontar.

Quanto tempo fazia que nenhuma forma de vida, ainda que artificial, entrava nas salas escuras do setor de saneamento? Era impossível determinar, Jimbo não conseguia vislumbrar provas da presença recente de algo ou alguém naquele lugar, então o que o atraía? Os sensores de visão do robot foram subitamente atraídos para um canto escuro daquela sala, havia uma caixa de madeira lacrada, que tinha a altura de seu observador. O robot não tinha supervisores humanos ou inumanos há muito tempo, então por que não deixar a curiosidade tomar forma pelo menos uma vez em sua existência? Com as poderosas lâminas que possuía, ele pôde abrir a caixa com facilidade.

Até que ponto dispositivos de visão podem se arregalar? Os de Jimbo Z-47 com certeza ultrapassaram este ponto ao observarem o conteúdo da caixa.

A semelhança entre Jimbo e aquele robot na caixa era incrível, mas havia algo diferente. O rosto era um pouco mais alongado, as formas mais arredondada e tinha um ar elegante. Aquele Robot não era um Jimbo, mas com certeza fazia parte da classe de robots ceifadores, tinha um par de lâminas afiado como os de quem o observava. Jimbo abriu o compartimento de bateria nas costas, onde ficavam o número de série e modelo na maioria dos robots ceifadores. Julie Z-80, um protótipo, o último ceifador desenvolvido pelos humanos antes do ponto crítico da grande crise.

Julie tinha dois compartimentos de bateria, um para Blue Rock e outro para uma bateria recarregável, utilizada em emergências. A lapidação de Blue Rocks para robots ceifadores era muito rara, e durante toda a sua carreira Jimbo havia desativado apenas dois ceifadores defeituosos, um há 350 anos e outro há 190 anos atrás. Jimbo estava a caminho do depósito de peças da cidade.

Movido por um sentimento de esperança inexplicável, o incansável robot passou quase cinco dias inteiros revirando os recipientes de Blue Rocks do depósito de peças de Blue Panels, tentando encontrar as Blue Rocks dos ceifadores que ele desativara anos antes. Jimbo conseguiu, encontrou as baterias dos robots desativados, uma delas tivera a lapidação danificada, mas a segunda parecia estar em condições perfeitas. Pôs-se a caminho da prefeitura.

Durante exatos 153 anos, Jimbo e Julie desativaram e desmontaram cada robot defeituoso que ainda permanecia ativo em Blue Panels, e sendo eles dois os únicos robots em perfeitas condições da cidade, reduziram sua vida artificial a zero. Então migraram para a cidade vizinha, Helic Heights. A cidade estava praticamente deserta quando chegaram, desmontaram apenas meio cento de robots domésticos como robots-chaleira e antiquados robots-telefone.

Durante a migração para a próxima cidade algo inesperado aconteceu, um buraco na estrada fez com que Julie tropeçasse, o impacto da queda fez com que uma de suas articulações fosse danificada, robots eram feitos para circular em terrenos planos das cidades e não por estradas e rodovias como aquela. Jimbo voltou para Helic Heights, foi direto para o depósito de peças da cidade, lá deveria haver as peças necessárias para consertar Julie. Mas como as peças de um protótipo único poderiam estar disponíveis num daqueles depósitos?

Frustrado, Jimbo recorreu ao depósito de Blue Panels. Carregando todas as peças de articulações de ceifadores que encontrou e podia carregar, o robot foi em direção à saída da cidade. Seus sensores identificaram um nivel de acidez extremamente elevado sobre um ponto de sua lataria, depois sobre outro, e outro logo em seguida. Impelido por seu sistema de segurança Jimbo procurou abrigo. O que seria aquilo?

O robot nunca havia presenciado aquele fenômeno antes. Enquanto em algumas regiões da Terra chovia ininterruptamente há séculos, naquele país todo o sistema de irrigação que os humanos necessitavam era artificial, tamanha era a escassez de chuvas. Julie! Estaria ela bem no meio daquele descampado? Jimbo precisava chegar até ela, mas suas pernas pareciam travadas. Apenas três semanas depois, quando a chuva passou o robot recuperou os movimentos e o controle das pernas. Foi ao encontro de Julie.

 

 

JULIE continuava no mesmo lugar onde tropeçara, na mesma posição. Ao perceber a presença de Jimbo procurou-o com seus sensores auditivos, tentou comunicar-se com ele mas seus dispositivos de fala, assim como os de visão, tinham sido danificados pela chuva extremamente ácida. Além da acidez, a própria humidade é inimiga dos robots, que foram criados para os ambientes semi-áridos da Terra, habitados por humanos.

Jimbo mal podia acreditar no estado em que sua companheira se encontrava, deixou todas as peças que carregava caírem sobre o asfalto, Julie procurava a origem daqueles sons com os olhos cegos. Jimbo já levantara suas lâminas.

 

 

DE VOLTA ao depósito de peças de Helic Heights o robot depositava as peças de Julie Z-80 nos recepientes adequados. Logo após isso, Jimbo continuou a migração que, outrora, havia iniciado.

 

By Ramon D’Ulevart